Por que suas preparações podem estar erradas em 2020

A grande questão de um preparador não é o que ele tem, o que ele possui ou muito menos o que ele pode adquirir, isso infelizmente são apenas partes de um mecanismo de preparação e não a preparação em si.

Muito pensam apenas na defesa, outros pensam somente no deslocamento e tem aqueles que pensam em ficar trancados até que a “tormenta” acabe para voltar a normalidade. Embora essas questões sejam relevantes para um preparador, não é tudo!

Algo que 90% dos preparadores esquecem de fazer, é justamente o principal questionamento; o me leva a pensar em ser um preparador? Podemos afirmar que observando a internet, nas mídias sociais, boa parte se apresenta como preparadores apenas por moda, porque está na TV ou na internet. Muitos estão porque “é muito legal ser diferente” para questionar quem não é um preparador. Vemos a grande confusão entre os significados referente em ser; preparador, sobrevivencialista, bushcraft ou até um aventureiro de final de semana.

Antes de qualquer coisa, temos que nos perguntar o porquê deste desejo em ser um preparador, perguntar-se qual o principal motivo para isto e porque investir “nesse negócio” que muitos classificam como doideira. Alguma vez parou para realizar essa pergunta e se é realmente válido investir tempo e dinheiro nesta questão?

O que é um preparador?

Creio que essa é a pergunta chave que todos que estão ou desejam iniciar as preparações deveriam fazer antes de adquirir qualquer material. Infelizmente o COVID-19 mostrou a realidade entre muitos preparadores brasileiros. Na internet são excelentes preparadores, cheios de planos mirabolantes, diziam ter todo um estoque necessário para anos e que estavam preparados para qualquer situação, mas isso não condiz com a triste realidade. que passamos.

Muitos se mostraram apenas preparadores virtuais, e que na realidade, nos grupos e redes sociais, perguntavam a todos como estavam fazendo, mencionando que estavam sem suprimentos pois os valores de mercados estavam altos e outros comentários mostrando até o medo e a vontade de fugir da cidade apenas com um B.O.B. (Bug Out Bag) as famosas mochilas de 72 horas. Mas nos perguntamos; como assim sair de casa? Largar sua casa em plena pandemia, colocar uma mochila nas costas e ir para o mato? É sério isso? Como estaria essa pessoa depois de dois meses da chegada do COVID-19 no Brasil? Será que ela ainda estaria n meio do mato caçando para viver?

Ilustração família por Zohar Lazar

A ideia de viver no meio do mato, para alguns é até legal, mas a realidade é bem diferente. Ser um preparador não é ser um aventureiro, ser preparador é observar o que acontece diariamente, entender e avaliar o que pode ocorrer e até realizar simulações, testes e modelos de previsões que lhe proporcione “descobrir” o que está por vir. Ser preparador é pensar em sua saúde, segurança e bem estar, seja individual ou familiar. E acima de qualquer coisa, ter pé no chão!

Um sobrevivencialista vive o dia, o momento, ele pode ou não se deslocar de acordo com as situações que está encontrando e assim remodelar de acordo com a necessidade, mas antes de qualquer coisa, ele precisa estar e ser forte fisicamente e mentalmente para que execute as tarefas diárias, de certa forma se igualam ao Preparador e ao Bushcraft.

Um bushcraft como o nome menciona, é utilizar suas mãos, criar a partir do que o ambiente lhe proporciona, não é ter uma mochila ou um carro lotado de ferramentas. Conhecer as técnicas artesanais e mateiras é fundamental para que as suas criações lhe proporcionem garantia de subsistência, abrigo e segurança.

Um sobrevivencialista é a transição entre o bushcraft e o preparador, pois apesar de ele conhecer a arte mateira, ele tem em seu poder recursos artificiais/externos que lhe proporcionem com mais facilidade os mesmo objetivos de garantia de abrigo, subsistência e segurança.

Mas ser um preparador, é buscar meios naturais e/ou artificiais para manter-se em segurança por um médio ou longo período de tempo, seja em deslocamento ou fixo. Buscar conhecimentos de engenharia, segurança, saúde e alimentação. Com a utilização de técnicas e equipamentos que venham facilitar essas condições, proporcionando uma certa comodidade. As Eco-Vilas, bunkers, quarto do pânico, motorhomes e equipes de deslocamento são exemplos de algumas vertentes de preparação.

Um preparador deve estar sempre preparado, na cidade ou no campo, pensar que alguma situação no qual possa ocorrer e se ocorrer, você terá o mínimo de condições para suportar a adversidade da melhor forma em comparação ao resto da sociedade que não é preparadora. Em resumo, é ter condições de passar por um determinado período predeterminado e até ter condições de estender esse período sem precisar do estado.

Do que tenho que me preparar?

O que mais deve ser levado em conta, certamente será a questão do que você precisa fazer para se manter seguro e com saúde, seja de forma individual ou para quantos que estiverem com você, se assim você tiver em seu planejamento. Criar cenários é a base de qualquer preparação, seja ela qual for.

As preparações consistem desde uma situação local, regional, nacional e até global, visando questões de distúrbios sociais, econômicos, guerras, impacto na industria de alimentos, vírus com taxa de mortalidade superior a uma percentagem definida pela sua estratégia e outros motivos. Um tipo de preparação mais comum é o informativo, quando uma pessoa observa o que está ao seu redor. Quando falamos desta questão, queremos dizer sobre as notícias e acontecimentos, criando meios e formas para se precaver caso as suspeitas sejam confirmadas.

Você pode se preparar para um assunto específico, mas ao mesmo tempo, observar o cenário apresentado nos noticiários e até em pesquisas para adaptar suas preparações.

ATUALIDADE X PREPARAÇÃO

Falando em tempos modernos, o COVID-19 se mostrou um verdadeiro teste prático sobre como se portar em situações de confinamento (distanciamento social) e ressaltamos que boa parte da população se mostrou incrédula perante a situação e de certa forma, isso não era esperado quando o vírus chegasse de fato no país, visto o histórico e experiência demonstrada em outros países. Apesar da baixa taxa de mortalidade, porém de fácil transmissão, o vírus é preocupação em todos os países e em nosso território, virou uma batalha ideológica.

O planejamento, situações e atitudes que até então deveria ser inovadora no Brasil, pois se tratava da primeira e verdadeira experiência em uma situação real de preparação, na verdade, mostrou a vulnerabilidade dos preparadores. Tivemos relatos que diversos preparadores pegaram o vírus e outros nem abastecidos estavam e ainda, aqueles que tornaram a situação como uma plataforma política.

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O COVID-19 mostrou que boa parte da população estará sempre a mercê do governo, seja no lado ideológico ou relacionada à mídia. Com base nesta observação, voltamos na questão que um preparador de verdade não pode depender do estado, ele não pode esperar que terceiros façam por ele. Especialistas estão prevendo novas doenças e até um possível caos econômico, o preparador brasileiro deverá repensar suas atitudes, seu modo de avaliar a situação e se isentar dos fatores políticos, pois se tiver “lado”, deixará sua família e a sua própria segurança a disposição de terceiros.

Repensar nossas próprias estratégias de defesa

Embora isso possa não se aplicar a todos que leem este material, aprendemos que somos defensores em vez de atacantes. Para quem gosta de comparar, somos igual ao nosso Exército, estamos para defender e não atacar, porém se atacados, iremos revidar. Nossas tropas são fantásticas e conhecem muito bem o terreno, são preparadas para qualquer eventualidade.

Pensando desta forma, o desafio de qualquer preparador está no prover para a sua família o alinhamento entre a alimentação, saúde, segurança, comunicação e até rotas para deslocamento seguro em um período predeterminado. Como mencionado no parágrafo anterior, nossas forças de defesa conhecem o tereno que lhe é proposto e isso tem que ser levado em conta para preparação, pois conhecer seu terreno e rotas de deslocamento e até possíveis pontos de encontros com outros grupos, podem estar em seu planejamento.

Somos seguidores das leis, mas sempre pesando em um possível colapso social, econômico ou político. Temos que estar de acordo com a legislação vigente para evitar problemas e ao mesmo tempo, buscar meios de proteção em estudos, regulamentações e planejamento. Sim, é duro ser preparador em um país como Brasil, onde a terra é farta, mas a questão de segurança é delicada.

Utilizando como modelo uma Eco-vila, que faz parte de um sonho de consumo por boa parte dos preparadores, a questão da segurança pode ser realizada a partir de câmeras, cães, patrulhas e pontos de observação. Temos que ter em mente que uma estrutura assim iríamos precisar de bons espaços para criar animais e ter o plantio para que sustente seus moradores, isso sem mencionar os espaços reservados para residências, oficina, espaços de geração de energia entre outros não citados. Porém, “policiar” uma área deste tamanho não é um simples trabalho, muito menos defendê-la.

Proteger-se nem sempre é esperar acontecer. Precisamos adotar a mentalidade do atacante e isso se aplica enquanto estamos em casa, no trabalho e em outros espaços.

Como prever situações?

A abordagem correta para a criação de estratégias de um preparador é pensar nos dois lados, chamada ataque e defesa. Essa técnica nos ajuda a alternar melhor entre a mentalidade do atacante e do defensor, para que possamos cobrir o máximo de lacunas possível.

Precisamos pensar em nossas vulnerabilidades do ponto de vista de um invasor, fazendo a nós mesmos e respondendo honestamente a perguntas como:

  • O que pode acontecer em breve?
  • Com quem eu poderia contar?
  • Quem poderia me dar trabalho em casa?
  • Quem não levaria a questão a sério?
  • Como eu poderia mudar essa situação?
  • Quem eu quero ao meu lado?
  • Quantos somos nesta preparação?
  • Por quanto tempo eu preciso de mantimento?
  • Quais alimentos eu preciso para este período?
  • Crie um cardápio semanal para ser utilizado
  • Faça uma planilha de custos
  • Tenho esse recurso financeiro?
  • Com posso adquirir?
  • Se não tenho como adquirir, mude o cardápio
  • Tenho como ter uma horta?
  • Tenho como criar algum animal para corte?
  • Tenho espaço para tudo?
  • Como manter a mente ocupada por esse período?
  • Se tiver que me deslocar, o que faremos?
  • É seguro ficar parado ou se deslocar?
  • Quem te atacaria?
  • Por que eles atacariam?
  • Onde eles atacariam?
  • Quando esse ataque aconteceria?
  • Que tipo de ataque provavelmente seria?

A maioria dos ataques planejados é composta de uma combinação de informações que foram pesquisadas por um invasor muito antes do ataque. Sendo esse o caso, você pode ter certeza de que na maioria dos casos o invasor já tem as respostas para as perguntas acima.

O primeiro passo para saber como defender a sua família é fazer um plano. Basicamente, você precisa definir cada tipo de ataque possível e depois dividi-lo em estágios de planejamento do ponto de vista do invasor. Depois de fazer isso, você poderá colocar em ação contramedidas sobre possíveis ações que um invasor possa executar.

Este texto não é uma afirmação sobre estar certo ou errado, mas ao ler, desejamos que reserve um determinado tempo do seu dia para colocar no papel o que está fazendo e como está fazendo, reavalie as medidas de segurança e tenha sempre em mente que repensar é evitar possíveis falhas.

Seguimos normas, regras e leis, mas em uma situação de fatos reais, devemos pensar exclusivamente em todos os objetivos traçados na sua preparação. Mantenha a comunicação ativa, fique atento aos acontecimentos e mantenha o plano, com adaptações se assim a situação exigir.

Nota do editor:
Luiz Camões apesar de jornalista é preparador, e suas preparações eram direcionadas para as questões de segurança em distúrbios sociais, mas ao observar a questão do COVID-19 ainda na China, modificou suas anotações e desenvolveu um novo plano, um planejamento para a chegada do novo corona vírus no Brasil. Antes da chegada do vírus oficialmente ao país, adquiriu os EPIs necessários para a sua família e adaptou para a sua residência os protocolos de segurança aplicados em países que estavam vivendo a pandemia, por exemplo, quando todos ainda diziam que não era para utilizar máscara, já utilizávamos, inclusive abastecidos para quatro meses e com possíveis rotas de fugas caso fosse necessário.

O planejamento para o “enfrentamento” ao COVID-19, foi direcionado para uma ação pensando que a população iria se assustar, que poderia trazer distúrbios sociais aos centros urbanos assim que percebessem o colapso do sistema de saúde e a falta de equipamentos, porém o tempo mostrou que não foi isso o que ocorreu. Essa é a prova e o primeiro teste em tempos modernos, mostrando que podemos acertar parte das previsões, e ao mesmo tempo observar e corrigir nossos protocolos, visto que a ideologia se colocou a frente da ciência, ignorando as possíveis consequências.

A pergunta que deixo aos leitores será um comparativo a atualidade: Se atualmente temos um vírus com baixa taxa de mortalidade mas que proporciona o caos no sistema de saúde pela facilidade de transmissão, porém tornou-se briga ideológica, o que poderia ocorrer se um novo vírus apareça com taxa de mortalidade acima de 40%?

Como informei no primeiro parágrafo desta nota, a preparação sempre foi direcionada para um possível colapso da sociedade, o caos social. Podemos reparar nas crescentes manifestações, palavras de ordens, Poderes em conflitos de ideias, noticiários enfatizando e dando a entender possíveis distúrbios sociais e o reforço de palavras de ordem nas redes sociais. Essas questões só reforçam que a preparação inicial possa estar mais perto de ser utilizada do que imaginaria se alguém tivesse me perguntado em 2019. Mas vai acontecer algo? É certo? Não sabemos, mas não preciso esperar acontecer.

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