Cursos de sobrevivência preparam Espanha para o pior

Imagem: Pixabay

Os instrutores de sobrevivência ou “preppers” há muito que se preparam para o desastre. Unreported Europe foi até Espanha descobrir este movimento.

Um dia ensolarado nas montanhas, a apenas uma hora de Madrid – a capital espanhola. Um grupo de pessoas veio de toda a Espanha para participar numa atividade fora do vulgar ao ar livre. É um dos muitos cursos de sobrevivência organizados em todo o país. Os participantes aprendem as competências básicas necessárias para sobreviver no caso de algo correr mal.

Juan é um instrutor de sobrevivência de longa data, também chamado “Prepper”, ou preparador. Um termo que define aqueles que se prepararam para qualquer desastre que possa acontecer a qualquer momento.

As pessoas começam a pensar que viver dia após dia, é contraproducente. Se temos o conhecimento e podemos adaptar o nosso equipamento para sobreviver vários dias, principalmente no auge destas pandemias, ou de situações de emergência, podemos salvar-nos a nós próprios.

JUAN J. LÓPEZ
“PREPPER” – instrutor de sobrevivência

Este movimento de sobrevivência está a ganhar cada vez mais terreno em Espanha – um país duramente atingido pela pandemia. Em menos de um ano, a procura aumentou mais de 30%.

Uma coisa é experimentar uma situação de sobrevivência se estivermos perdidos nas montanhas. Outra é estar numa situação de sobrevivência quando todo o Estado pode ser afectado. Quando as equipas de salvamento, o sistema de segurança social, o sistema de saúde entram em colapso, as pessoas percebem que não podem contar com a ajuda de profissionais externos, como costumavam fazer. Por isso, precisam de auto-gestão, auto-segurança e é normal que procurem formação.

IGNACIO ORTEGA
DIRETOR – Escola espanhola de sobrevivência

A crise de Covid-19 fez com que Pascual, aqui de preto, se rendesse ao curso.

Este empresário veio de Valência e fez quatro horas de viagem. Diz que quer aprender, para proteger a família.

O que me motivou a vir, basicamente, foi a situação de incerteza que estamos a viver. Não é tanto a minha preocupação com a pandemia, mas sim com o que pode acontecer depois. A crise económica que estamos a sofrer e que vamos sofrer durante anos. Quando as ajudas estatais acabarem, podemos começar a assistir a despedimentos em massa nas empresas e por aí fora. Pode haver escassez de alimentos nas cidades, situações de caos, pode haver revoltas, por isso prefiro tomar a iniciativa de me preparar, só por precaução.

PASCUAL
Empresário

As comunidades de “preppers” estão a prosperar nos meios de comunicação social, onde os membros trocam preocupações e dicas, para fazer face a potenciais catástrofes. Penetrar na sua esfera privada não é fácil.

Um dos nossos contactos envia-nos imagens das provisões que armazena para fazer face a catástrofes: combustível, kits de sobrevivência, alimentos desidratados ou enlatados, mas também vestuário de camuflagem, equipamento anti-nuclear, armas e munições são apenas alguns dos artigos que os “preppers” guardam em locais de armazenamento individuais ou coletivos – que são sempre mantidos em segredo.

Um movimento nascido nos Estados Unidos durante a guerra fria, e frequentemente ligado a ideologias de extrema direita. O sobrevivencialismo desenvolveu-se na Europa em formas frequentemente menos radicais.

A filosofia dos que se descrevem a si próprios como neo-sobrevivencialistas ou “preppers”, não é inquietante aos olhos deste sociólogo e especialista em sobrevivencialismo.

Os Sobrevivencialistas organizam-se em comunidades, tentam partilhar os meios para sobreviver e usam uma fábula a este respeito – a “Cigarra e a Formiga”. Por um lado, há as cigarras que não viram o Inverno chegar, a catástrofe: nós, por outras palavras. Por outro lado, haveria os sobreviventes, as formigas que se organizam, que armazenam e que se organizam, especialmente em comunidades, em colónias, para melhor sobreviverem a crises. Por outras palavras, seriam os escolhidos do Apocalipse, os escolhidos, os vencedores, enquanto que os outros seriam os perdedores – e quase mereceriam morrer, na altura deste fim do mundo imaginado, mas também esperado pelos sobreviventes.

BERTRAND VIDAL
Sociólogo

As famílias que estamos a encontrar perto da cidade de Toledo, a sul de Madrid, estão a preparar-se para o novo mundo e querem partilhar os seus conhecimentos. Estes “preppers” levam-nos até um dos seus locais favoritos, onde por vezes vêm reconectar-se com a natureza e com técnicas ancestrais, como este forno subterrâneo – voltando à pré-história.

Uma coisa é estar preparado para o que pode acontecer, outra é estar preparado para aqueles que nos possam querer fazer mal. Porque infelizmente, quando algo mau acontece, há sempre pessoas para matar, para roubar, saquear… Por isso, devemos sempre tentar esconder os nossos pertences e enterrar objetos básicos em locais secretos. Isso pode livrar-nos de problemas. Espero que nada aconteça. Mas, mais dia ou menos dia, vai acontecer.

JAVIER GARCIA SERRANO
“PREPPER” – Escola GAÏA

Roberto e a esposa Melania abriram uma escola de sobrevivência há um ano. Enterrar bens na natureza, para sobreviver durante vários meses, faz parte dos seus ensinamentos. Prepararam-nos um kit de “prepper”: equipamento médico, comida enlatada, sementes, velas, sabão, cordas e facas, são apenas alguns dos artigos essenciais de um stock básico.

Enterram-se os objetos e uma pedra serve de marco para o encontrar o local em caso de necessidade. É apenas uma demonstração para as nossas câmaras, porque os tesouros da família estão escondidos noutro lugar e em maior quantidade.

Somos uma família de 4 pessoas, em breve 5, por isso um balde tão pequeno não seria suficiente. Temos 3 crateras enterradas em pelo menos dois pontos diferentes em Espanha. Um deles contém todo o equipamento médico, outro é para comida e o terceiro contém tudo o que precisamos para a auto-defesa.

ROBERTO FERNANDEZ GARCIA
PREPPER – Fundador da escola de sobrevivência GAÏA
Fonte: EuroNews



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